quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Beleza e Feiúra

Seria o caso de exatamente a ênfase que nós, humanos, damos à Beleza, ser a causa direta de um completo enfeiamento? Quanto mais se enseia por uma pura beleza idealizada (cujo pressuposto principal, ou o grau mais alto, o cume, o ápice, é a inatingibilidade), mais feiúra se cria na consciência que se depara constantemente com o acaso, a incerteza, a instabilidade. A completa indefinição que é o mundo. Desse modo, um verdadeiro amadurecimento da reflexão humana se daria, podemos concluir, pelo aprendizado da passagem pelo feio. Temos que ter a coragem de questionar inúmeras coisas como "O que é o feio?, Que tratamento lhe damos? Não seria o nosso tratamento mesmo que reitera a sua feiúra? Num instante de ausência completa de preconceitos esse feio poderia aparecer aos nossos sentidos de alguma forma belo? A repetição eterna dos mesmos valores estéticos não é uma ânsia por não conhecimento do mundo? O feio é feio em si, ou o feio é feio porque não temos ação diante dessa aparição e somos rudes demais? Ou é-nos agressivo, porque interpretamos como agressivo, e assim reagimos agressivamente, e para tudo isso bastando apenas que ultrapasse nossas valorações costumeiras?" (...)